Cinema calado
January 31st, 2010 by daniel
Lembra que muito tempo atrás o cinema era mudo? Pois é, o cinema ganhou som, mas durante a projeção nós temos que continuar calados.

Barulho no cinema é algo que me incomoda. E isso não tem nada a ver com eu ser cinéfilo. O papo vai mais para o lado do respeito e educação.
Mas o tempo de não fazermos nada acabou, e o tempo de tomarmos uma atitude apenas começou. Convoco não só aqueles que falam de frescuras como experiência de imersão, mas também aqueles que apenas curtem ver o novo blockbuster, os que pagam 30, 40 reais para ver um filminho, os que querem “desligar o cérebro por 1h40″ e que querem fazer tudo isso sossegados: é hora do troco.
Primeiro temos que analisar o inimigo. Muitos são os tipos de incômodo quando as luzes apagam, veja alguns:
- O Bebê Chorão. Mas é claro que ele, coitado, não é o culpado. Que tipo de pai leva o filho que ainda nem deixou de mamar para assistir Frost/Nixon na sessão de 19h? Agora, se você tiver assistindo George, o Curioso, dá um tempo, né, marmanjão?
- Os Grupos de Adolescentes Selvagens. Esses são os piores, pois muitas vezes nem sabem o filme que está passando. Costumam agir principalmente nos dias Cameron Diaz ou Gerald Butler da vida.
- O Chato-simplesmente. É aquele que conversa sobre o filme, durante o filme. Diz o que vai acontecer. Quando a música de suspense aumenta ele diz lá vem o Jason. Quer contextualizar historicamente a namorada durante as batalhas de Gladiador.
- O Ligador. Não larga o celular pra nada. O pior é aquele que diz tô no cinema; não, diga, pode falar.
- O Espaçoso. Tem 3,40m de altura, por isso precisa ficar chutando a nossa poltrona.
- O Hemorroidal. Não aguenta o furico na cadeira nem 20 minutos. Vai no banheiro, recarrega a pipoca, recarrega o refri. E ainda pára na nossa frente, olha para a namorada e diz amor, M&M’s de chocolate ou de amendoim?
Mas o que fazer? Normalmente um shhhhhhh resolve. Mas é temporário. A pessoa pára na hora mas logo depois recomeça. A primeira opção seria um SSSHHHHHH forte e direcionado, olhando para o infrator. Caso não pare, você pode mandar um: o senhor pode conversar lá fora? Não muito alto, mas o suficiente para que chame atenção das pessoas ao redor. Na maior parte das vezes funciona, no máximo seguido de um resmungo.
Mas às vezes uma atitude mais contundente é necessária. Para isso eu peguei umas dicas do Gizmodo e adaptei com algumas ideias:
- A Humilhação em Grupo. Levante junto dos seus amigos ao mesmo tempo, apontem para o meliante e digam que ele tem que parar ou sair. Não precisa ser ensaiado, cada um fala o que vier à cabeça. É difícil, doloroso e chama muito a atenção. Mas provavelmente aquela pessoa não mais vai repetir o que fazia dali para frente, nunca mais. E você estará fazendo do mundo um lugar melhor.
- O Flying Cell. Sabe aquele celular iluminando a sala mais que uma explosão do Michael Bay? Qualquer um que manda SMS ou coloca o despertador para o dia seguinte durante a sessão dá o direito a ter o celular arrancado das mãos por você e atirado a uma boa distância. A cabeça do sujeito é um bom alvo.
- O Dirty Harry local. A opção aqui é chamar o gerente ou um responsável. Acredite, pode funcionar. E ver o transgressor levar um carão da autoridade local é lindo. Claro que nem todos os cinemas têm um Dirty Harry. É preciso experiência. Mas vai a dica de ouro: no Cinemark do Salvador Shopping há um e eu já a vi em ação.
Então, cinéfilos do mundo, uni-vos. Vamos lutar contra essa opressão. Mas calma, nada de atirar nas pessoas na sessão de Benjamim Button, hem? Tenhamos classe. Mas que aquele aviso inicial de “desliguem os celulares, não conversem” poderia ser substituído pelo vídeo abaixo, ah, isso sim podia.
(Vídeo: Sick Girl “Thank You For Not Talking” PSA)
(Imagem: Dead Silence, Twisted Pictures / Universal Pictures)
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[...] Até vale fica namorando, uma vez que não faz barulho, né? E no escuro eu não estou vendo mesmo, mas conversando… é dose!! Namorado até já criou um protesto no blog dele! [...]