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(Favor ler como se estivesse num musical, prestes a começar uma canção)

Biscoitinhos de Natal

Era um dia típico de Natal na Bahia, em Salvador. As luzes, os Papais Noéis, o escaldante calor.

Numa pequena loja de bijuterias no maior shopping center da cidade, Carlos Pinto, o gerente, fazia a contabilidade. Reúne então seu staff, um sub-gerente chamado Beto e, com um largo e simpático sorriso no rosto, dá-lhe um desagradável veto.

“Beto, vamos ter que trabalhar amanhã, amigo. Estamos longe das nossas metas, do nosso objetivo definido.”

“Mas Sr. Pinto, o dia de hoje do Natal é a véspera. Ia pedir para sair mais cedo hoje”, diz Beto desolado à beça.

E o Sr. Pinto, com sua habitual simpatia, explica-lhe sobre crise mundial, índices de desemprego, eficiência, proatividade e apatia. Argumentos irrefutáveis claramente, pensa o esperançoso sub-gerente.

Mas naquele dia o Sr. Pinto, ao deitar na sua cama para dormir, três inesperadas visitas teve que admitir.

A primeira visita foi o Espírito dos Natais Passados, que conduziu uma visita pela infância do gerente atordoado. Sentiu saudades do tempo que ainda festejava o Natal. Aquela época inocente que jogava videogame e sonhava ser médico ou policial. E assim como chegou foi embora o espírito rápido, trazendo de volta o Sr. Pinto para seu quarto como mexe as cartas um mágico.

O Espírito do Natal Presente veio em seguida. Dessa vez passaram pelas casas da região e viram a celebração das famílias. Inclusive do seu prestativo sub-gerente, Beto. A sua humilde casa, numa invasão de Pernambués, estava cheia de afeto. Ele, na presença de sua esposa e seus quatro filhos, estava jubiloso, assistindo a programação de Natal da Globo.

Ao retornar ao seu quarto, foi a vez do Espírito dos Natais Futuros fazer a visita. E mostrou se continuasse a se comportar daquele jeito o que o destino lhe reservaria. Fê-lo ver a si próprio dali a dez anos de idade como gerente de uma pequena loja no maior shopping center da cidade e encheu-o de desespero e contrariedade.

Após as visitas, Sr. Pinto amanhece uma nova pessoa. Decidido a viver a vida pois esta voa. Resolveu fazer uma visita à Beto para dizer que não precisava trabalhar. E levou um panetone que havia comprado para partilhar. No caminho desejou feliz Natal para todos que via. A maioria das pessoas achou que aquele sujeito da bola bem não batia, mas isso definitivamente não o desanimaria.

Porém, logo que chegou ao humilde bairro do seu funcionário, Sr. Pinto despertou desconfiança do traficante Mário. Foi atingido por três tiros no coração e um na barriga e encontrou seu Calvário.

E se de toda história pode-se tirar uma moral que é boa, a desta é que espírito de Natal de cu é rola.

(foto de timitalia segundo licença CC-BY)

One Response to “um conto de natal baiano/pós-impressionista”

  1. on 24 Dec 2009 at 16h52Tâmara

    E eu que não gosto de Natal! :P
    bjs

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