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Como Aprendi a Parar de me Preocupar e Amar a Mídia

Um tempo atrás estava numa livraria e comprei, quase sem pensar, um livro chamado O ponto da virada. Não sei porquê. Devo ter lido algum review que ficou na minha cabeça. Quase instantaneamente me arrependi: cinco milhões de cópias? Só poderia ser livro de auto-ajuda. Comecei a ler o livro recentemente e, para minha surpresa, o livro é interessante. Baseado em muitas pesquisas, com suas devidas referências. Mas ao passar por um desses estudos tive que fazer uma parada para refletir sobre outro assunto.

Trata-se de uma experiência realizada em 1984 durante a campanha presidencial nos EUA. Notas foram dadas à expressão facial de alguns famosos âncoras norte-americanos durante a exibição de notícia relacionadas aos candidatos à Casa Branca. Esses trechos eram exibidos sem áudio para que as pessoas (escolhidas aleatoriamente) não soubessem o conteúdo da informação. A maioria dos âncoras foi classificado como quase imparcial ao falar dos candidatos, à exceção de um, Peter Jennings, da ABC. Jennings teve notas muito mais positivas quando falava do candidato republicano do que quando falava do democrata.

Na segunda parte do estudo, uma pesquisa foi feita para saber em quem os eleitores que assistiam Jennings votaram. A maioria absoluta dos que assistiam a ABC votou no candidato republicano, chegando a 74% em alguns locais, contra 50% dos que assistiam outros canais. Isso tudo mesmo a ABC sendo o canal mais incômodo para o republicano. Importante dizer que a pesquisa é bastante complexa para provar seu ponto. Outros tipos de notícia foram avaliadas e até uma nova edição da experiência foi refeita quatro anos depois, com resultados idênticos.

Agora vamos trazer esse contexto ao Brasil. No governo do presidente Lula tenho visto muitas declarações apaixonadas. Não vejo tantas pessoas “meio-termo”. Ou defendem Lula tal qual um livro de programa de governo, ou criticam sem importar muito os argumentos, apelando muito para expressões baixas. Nem mesmo o polêmico governo Fernando Henrique despertou tais sentimentos.

Entendo que imagens de algumas edições da revista Veja podem ajudar a compreender parte dessa “paixão”:

Revista Veja 24/02/2010

Revista Veja 24/02/2010

Revista Veja 03/03/2010

Revista Veja 03/03/2010

Revista Veja 10/03/2010

Revista Veja 10/03/2010

Revista Veja 17/03/2010

Revista Veja 17/03/2010

Revista Veja 24/03/2010

Revista Veja 24/03/2010

Revista Veja 24/03/2010

Revista Veja 24/03/2010

Todas as imagens de Lula parecem caricatas, posicionadas de forma suspeita. Os títulos das reportagens não são simplesmente duros ou exigentes, são irônicos. Um conjunto que parece buscar não apenas fazer oposição, criticar, mas ridicularizar.

José Serra, atual bola da vez da política mais à direita, por outro lado, parece sempre um distinto senhor.

Isso me preocupa muito, principalmente quando eu lembro dos vestibulares. Jovens de todo o Brasil em idade de ingressar no ensino superior e de formar opinião são conduzidos à essa leitura. Há muito tempo os professores de ensino médio incentivam a leitura de Veja como obrigatória para entender a conjuntura atual do mundo. E para treinar a redação.

Assim como os eleitores norte-americanos foram influenciados pelo âncora republicano, os eleitores brasileiros são influenciados por uma mídia que se veste de imparcial – e ai de quem diga que a mídia não é imparcial – para embasar suas arbitrariedades.

Seria bem mais fácil se a Veja declarasse oficialmente seu apoio.

(Imagem do post: Day Ninety Eight de Dustin Diaz, segundo licença BY-NC-ND)

(Outras imagens do site da Veja: 1, 2, 3, 4, 5 e 6)

Cinema calado

Lembra que muito tempo atrás o cinema era mudo? Pois é, o cinema ganhou som, mas durante a projeção nós temos que continuar calados.

Shhhh...

Barulho no cinema é algo que me incomoda. E isso não tem nada a ver com eu ser cinéfilo. O papo vai mais para o lado do respeito e educação.

Mas o tempo de não fazermos nada acabou, e o tempo de tomarmos uma atitude apenas começou. Convoco não só aqueles que falam de frescuras como experiência de imersão, mas também aqueles que apenas curtem ver o novo blockbuster, os que pagam 30, 40 reais para ver um filminho, os que querem “desligar o cérebro por 1h40″ e que querem fazer tudo isso sossegados: é hora do troco.

Primeiro temos que analisar o inimigo. Muitos são os tipos de incômodo quando as luzes apagam, veja alguns:

  • O Bebê Chorão. Mas é claro que ele, coitado, não é o culpado. Que tipo de pai leva o filho que ainda nem deixou de mamar para assistir Frost/Nixon na sessão de 19h? Agora, se você tiver assistindo George, o Curioso, dá um tempo, né, marmanjão?
  • Os Grupos de Adolescentes Selvagens. Esses são os piores, pois muitas vezes nem sabem o filme que está passando. Costumam agir principalmente nos dias Cameron Diaz ou Gerald Butler da vida.
  • O Chato-simplesmente. É aquele que conversa sobre o filme, durante o filme. Diz o que vai acontecer. Quando a música de suspense aumenta ele diz lá vem o Jason. Quer contextualizar historicamente a namorada durante as batalhas de Gladiador.
  • O Ligador. Não larga o celular pra nada. O pior é aquele que diz tô no cinema; não, diga, pode falar.
  • O Espaçoso. Tem 3,40m de altura, por isso precisa ficar chutando a nossa poltrona.
  • O Hemorroidal. Não aguenta o furico na cadeira nem 20 minutos. Vai no banheiro, recarrega a pipoca, recarrega o refri. E ainda pára na nossa frente, olha para a namorada e diz amor, M&M’s de chocolate ou de amendoim?

Mas o que fazer? Normalmente um shhhhhhh resolve. Mas é temporário. A pessoa pára na hora mas logo depois recomeça. A primeira opção seria um SSSHHHHHH forte e direcionado, olhando para o infrator. Caso não pare, você pode mandar um: o senhor pode conversar lá fora? Não muito alto, mas o suficiente para que chame atenção das pessoas ao redor. Na maior parte das vezes funciona, no máximo seguido de um resmungo.

Mas às vezes uma atitude mais contundente é necessária. Para isso eu peguei umas dicas do Gizmodo e adaptei com algumas ideias:

  • A Humilhação em Grupo. Levante junto dos seus amigos ao mesmo tempo, apontem para o meliante e digam que ele tem que parar ou sair. Não precisa ser ensaiado, cada um fala o que vier à cabeça. É difícil, doloroso e chama muito a atenção. Mas provavelmente aquela pessoa não mais vai repetir o que fazia dali para frente, nunca mais. E você estará fazendo do mundo um lugar melhor.
  • O Flying Cell. Sabe aquele celular iluminando a sala mais que uma explosão do Michael Bay? Qualquer um que manda SMS ou coloca o despertador para o dia seguinte durante a sessão dá o direito a ter o celular arrancado das mãos por você e atirado a uma boa distância. A cabeça do sujeito é um bom alvo.
  • O Dirty Harry local. A opção aqui é chamar o gerente ou um responsável. Acredite, pode funcionar. E ver o transgressor levar um carão da autoridade local é lindo. Claro que nem todos os cinemas têm um Dirty Harry. É preciso experiência. Mas vai a dica de ouro: no Cinemark do Salvador Shopping há um e eu já a vi em ação.

Então, cinéfilos do mundo, uni-vos. Vamos lutar contra essa opressão. Mas calma, nada de atirar nas pessoas na sessão de Benjamim Button, hem? Tenhamos classe. Mas que aquele aviso inicial de “desliguem os celulares, não conversem” poderia ser substituído pelo vídeo abaixo, ah, isso sim podia.


(Vídeo: Sick Girl “Thank You For Not Talking” PSA)
(Imagem: Dead Silence, Twisted Pictures / Universal Pictures)

(Favor ler como se estivesse num musical, prestes a começar uma canção)

Biscoitinhos de Natal

Era um dia típico de Natal na Bahia, em Salvador. As luzes, os Papais Noéis, o escaldante calor.

Numa pequena loja de bijuterias no maior shopping center da cidade, Carlos Pinto, o gerente, fazia a contabilidade. Reúne então seu staff, um sub-gerente chamado Beto e, com um largo e simpático sorriso no rosto, dá-lhe um desagradável veto.

“Beto, vamos ter que trabalhar amanhã, amigo. Estamos longe das nossas metas, do nosso objetivo definido.”

“Mas Sr. Pinto, o dia de hoje do Natal é a véspera. Ia pedir para sair mais cedo hoje”, diz Beto desolado à beça.

E o Sr. Pinto, com sua habitual simpatia, explica-lhe sobre crise mundial, índices de desemprego, eficiência, proatividade e apatia. Argumentos irrefutáveis claramente, pensa o esperançoso sub-gerente.

Mas naquele dia o Sr. Pinto, ao deitar na sua cama para dormir, três inesperadas visitas teve que admitir.

A primeira visita foi o Espírito dos Natais Passados, que conduziu uma visita pela infância do gerente atordoado. Sentiu saudades do tempo que ainda festejava o Natal. Aquela época inocente que jogava videogame e sonhava ser médico ou policial. E assim como chegou foi embora o espírito rápido, trazendo de volta o Sr. Pinto para seu quarto como mexe as cartas um mágico.

O Espírito do Natal Presente veio em seguida. Dessa vez passaram pelas casas da região e viram a celebração das famílias. Inclusive do seu prestativo sub-gerente, Beto. A sua humilde casa, numa invasão de Pernambués, estava cheia de afeto. Ele, na presença de sua esposa e seus quatro filhos, estava jubiloso, assistindo a programação de Natal da Globo.

Ao retornar ao seu quarto, foi a vez do Espírito dos Natais Futuros fazer a visita. E mostrou se continuasse a se comportar daquele jeito o que o destino lhe reservaria. Fê-lo ver a si próprio dali a dez anos de idade como gerente de uma pequena loja no maior shopping center da cidade e encheu-o de desespero e contrariedade.

Após as visitas, Sr. Pinto amanhece uma nova pessoa. Decidido a viver a vida pois esta voa. Resolveu fazer uma visita à Beto para dizer que não precisava trabalhar. E levou um panetone que havia comprado para partilhar. No caminho desejou feliz Natal para todos que via. A maioria das pessoas achou que aquele sujeito da bola bem não batia, mas isso definitivamente não o desanimaria.

Porém, logo que chegou ao humilde bairro do seu funcionário, Sr. Pinto despertou desconfiança do traficante Mário. Foi atingido por três tiros no coração e um na barriga e encontrou seu Calvário.

E se de toda história pode-se tirar uma moral que é boa, a desta é que espírito de Natal de cu é rola.

(foto de timitalia segundo licença CC-BY)

Alguém lembra que em 1997, um simples lançamento de um site pessoal rendia matéria no Jornal Nacional?

Uma espécie de movimento muito saudável e importante atualmente é o da exigência por transparência nos órgãos públicos. Acredito que isso está tão em voga por causa da tecnologia. Apesar de ser indissociável da nossa vida hoje, há pouco mais de dez anos atrás a Internet não era tão essencial assim, como podemos concluir pelo video. Quem sabe dizer como fazíamos, em 1997, quando queríamos saber como estava a votação daquele projeto de lei importante? Ou quais foram os gastos do governo em diárias?

Transparência

Com a pressão do povo por mais transparência, os dados têm que ser liberados de alguma maneira. E a maneira mais fácil é pela Internet.

O que está acontecendo é que cada vez mais empresas e indivíduos têm se debruçado sobre esses dados que estão sendo disponibilizados e tentando tirar informação deles. A primeira vez que vi isso acontecer com mais força foi com a Sunlight Foundation.

A Sunlight, segundo ela própria, é uma fundação estadunidense apartidária e sem fins lucrativos que faz e incentiva a criação de aplicações que usem os dados fornecidos pelo governo dos EUA para que sejam acessíveis pelos cidadãos.

Alguns dos projetos da Sunlight Foundation (ou patrocinados) envolvem: uma API que junta e organiza todas as informações liberada pelo governo dos EUA; um bookmarklet que dá rapidamente informações sobre determinado senador; uma webapp que permite de forma fácil e rápida cruzar dados do governo federal dos EUA; entre outros.

Portal da TransparênciaApesar de não tão maduras quanto nos EUA, já existem várias iniciativas desse tipo no Brasil. O governo tem lançado seus dados na web, como com o Portal da Transparência. É sintomática a criação do Transparência HackDay, por exemplo. Desenvolvedores colocando a mão na massa e gerando informações e trabalhando sobre dados existentes. Outros projetos já têm algo para mostrar, como o CongressoAberto.com.br, que analisa dados do congresso, resultado em relatórios e gráficos. O Meu Parlamento vai mais à frente e planeja um sistema de democracia líquida.

Eu ainda não tenho ideia de quanto o prefeito da minha pequena cidade gasta em educação ou quanto os vereadores custam para a o povo. Mas esse dia está chegando. Em velocidade de internet.

(Foto: just.Luc no Flickr)

revolução bronzeada

Protesto a favor do bronzeamento artificial

Mais de cem pessoas em São Paulo e no Rio Grande do Sul foram às ruas protestar contra a proibição pela Anvisa do uso estético das câmaras de bronzeamento. O vermelho em suas faces era apenas de raiva.

Bronze, bronze, bronze, clamavam os bravos e desbotados manifestantes.

Nos cartazes os argumentos eram claros. Estávamos voltando à ditadura, dizia um deles. Outros indagavam se o mundo libera, por que haveria o Brazil de proibir? Assim mesmo, com z, em inglês. Outros ainda comparavam com cigarros e álcool.

Esse é o protesto da classe média brasileira. Isso é o que nos tira o sono, o que nos tira do sofá. Se o escândalo dos panetones fosse escândalo do filtro solar ou do silicone, aí sim teríamos a nossa revolução.

(Foto: Roberto Vinícius/Agência Free Lancer/AE em Globo.com)

acordo ortográfico parte dois

No site do Central do Carnaval pode-se ver o seguinte banner:

Central do Carnaval

Para os menos atentos: “All Inclusive” era o que na nossa língua arcaica costumávamos chamar de “Tudo Incluso”. Tem mais caracteres e tal, mas who cares? É inglês, é mais chic. Ou seria fashion?

el burito de la semana

Os argentinos não podem pesquisar pelo nome de Maradona. É isso mesmo, Fiquei sabendo pelo TWiT dessa semana que o maior ídolo argentino entrou com uma ação contra Google e Yahoo! para que não mostrasse resultados referentes à buscas por seu nome.

O Google entrou na briga, mas o Yahoo! Argentina já tirou o seu da reta. No lugar dos resultados, uma mensagem explica o ocorrido:

Con motivo de una orden judicial solicitada por partes privadas, nos hemos visto obligados a suprimir temporalmente todos o algunos de los resultados relacionados con ésta búsqueda.

Caso a mensagem no site desapareça, ainda temos imagens: :)

Os apresentadores do TWiT instituíram o prêmio The Donkey of the Week especialmente para o hermano.

abaixo o projeto de lei azeredo

O senador Eduardo Azeredo escreveu um projeto de lei que pode deixar a internet brasileira no nivel de Irã e China. Saiba mais aqui.

Informe-se. Passe a palavra.

el sanduba

Funke e eu fizemos um videozinho para participar do Weekend Project do Vimeo, que tinha como tema “Cozinhe”. Infelizmente demoramos e não terminamos a tempo. Mas publicamos o vídeo assim mesmo. É o primeiro, com certeza faremos mais. ;)

Podem ver o vídeo em alta definição lá no Vimeo. É muito melhor que o que está aqui na página.

direto do túnel do tempo

O que são sete anos? Muito ou pouco tempo? O Google resolveu, para comemorar o seu aniversário de dez anos, fazer uma página com o índice mais antigo que eles tinham, de Janeiro de 2001. Só para dar um exemplo, uma busca por “blog”, retornava o seguinte resultado:

Google em 2001

Em 2008, os resultados são ligeiramente diferentes:

Google em 2008

Incrível. :)

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